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Cabines de Alvenaria vs Cubículos Blindados

Uma abordagem técnica e comparativo entre as soluções de cabines de alvenaria em relação as cabines blindadas.

Cabines de Alvenaria vs Cubículos Blindados

Após a revisão e a modernização das normas técnicas e dos conceitos de segurança exigidos pela NR10, ainda nos deparamos com projetos ultrapassados: as Cabines de Entrada e Medição em alvenaria. Essas construções exigem estruturas caras, que, em geral, não atendem a requisitos estéticos, nem são muito seguras.

Quando os modelos em alvenaria necessitam de qualquer manutenção preventiva ou corretiva, o eletricista precisa entrar na estrutura montada para ter acesso a chaves, disjuntores, condutores, transformadores etc. Na grande maioria das situações, o objetivo é religar a alimentação de energia e/ou detectar um defeito nas instalações elétricas, como sobrecarga ou curto-circuito, que levam ao desarme do disjuntor geral e à desenergização completa do circuito. Vale lembrar que a cabine é o ponto onde a potência em caso de curto-circuito é mais acentuada, portanto, torna-se o pior lugar para se estar nesse momento.

Os riscos não param por aí. Se houver um curto-circuito e o disjuntor geral ou os fusíveis cortarem a alimentação de energia sem que o eletricista detecte e corrija o problema rapidamente, pode se formar um arco elétrico. O fenômeno ocorre quando há uma quebra dielétrica, que resulta em um fluxo de corrente em meio normalmente isolante, como o ar. Quem estiver nesse ambiente, a temperaturas altíssimas, estará sujeito a queimaduras graves e até mesmo à morte, especialmente se não utilizar o EPI adequado. Por isso, é muito importante que apenas profissionais devidamente capacitados efetuem o rearme de uma subestação, tomando todos os cuidados previstos na NR10.

Os cubículos blindados são estruturas robustas feitas em aço carbono. Seus principais componentes são montados no interior desse invólucro, logo, longe do alcance das pessoas não habilitadas. Em caso de curto circuito, as pessoas ao redor do cubículo ficam protegidas pela chaparia, o que reduz significativamente o risco de queimaduras e de morte. Se o eletricista estiver usando o EPI como deveria, esse risco é praticamente nulo.

Outra vantagem do cubículo blindado é sua fabricação conforme as recomendações da norma internacional europeia NBR IEC 62271:200, que possui critérios rígidos para controle da propagação de um eventual arco elétrico. No caso de a estrutura ser instalada em ambiente externo, os gases são conduzidos para uma direção segura, longe das pessoas, por aletas projetadas para reduzir a força da expansão do ar devido ao arco. Em ambientes internos, os gases superaquecidos são conduzidos para fora, em um local seguro, evitando a liberação destes gases no ambiente enclausurado.

Existem ainda reles que podem ser utilizados em conjunto com os disjuntores gerais para detectar o arco elétrico no início e desligar os disjuntores em um tempo muito reduzido, cortando, assim, a energia do fenômeno antes de ser plenamente liberada. Devido ao ambiente escuro, propiciado pela blindagem, essa alternativa funciona muito bem para prevenção de riscos pessoais e patrimoniais.

Infelizmente a segurança nem sempre é o principal critério de escolha, nem mesmo o diferencial do produto. A maioria dos leitores já ouviu a frase: “sempre foi assim e nunca aconteceu nada”. Mas as normas e rotinas de segurança servem para prevenir o “se acontecer”. Esse tipo de argumento pode trazer uma pergunta: quanto vale uma vida? Um acidente é uma sucessão de fatores e, havendo o risco potencial, cabem aos responsáveis tomarem as devidas medidas de segurança.

Uma outra vantagem no uso da cabine blindada em relação à de alvenaria, é o espaço necessário para a instalação, pois, enquanto a primeira é compacta e o espaço é otimizado, ocupando uma área menor, a segunda é, literalmente, um cômodo de alvenaria que afeta a arquitetura do ambiente, visto que as medições devem ficar no início do empreendimento.

Analisando o investimento inicial, principalmente se o empreendimento estiver em fase de desenvolvimento, o custo para a construção de uma cabine em alvenaria poderá ser menor, porém, com o aumento da procura pela cabine blindada, os custos dos equipamentos para montagem estão sendo reduzidos, podendo em breve, não ser mais um diferencial entre as duas.

O fator custo e a tradição ainda são preponderantes para o uso deste tipo de solução. Visto que hoje precisamos ter uma preocupação muito grande com o quanto será gasto e com o orçamento, portanto, sempre há a prerrogativa de gastar o mínimo possível. Por se tratar de um produto muito técnico que nem todos conhecem profundamente, é natural e desejável que procuremos por terceiros que supostamente deveriam saber fazer essa análise.

Atualmente, as grandes empresas estão abolindo esse tipo de solução pelos motivos já elencados aqui, e aos poucos, as empresas menores também começaram a adotar essa solução. Entretanto, os maiores formadores de opinião ainda são os projetistas que elaboram os projetos elétricos, que precisam estar sempre atualizados e modernizados em busca das melhores soluções da engenharia.